5 de dez de 2010

Foi numa sexta feira

Saí de casa desconhecendo o motivo pelo qual havia feito isso. Era um dia como os outros, mas eu não sentia vontade de caminhar até o trabalho como todas as manhãs. É claro que eu não poderia faltar, havia começado a menos de 1 mês o meu novo emprego, estava com a corda toda, mas não naquele dia. Uma nota de 20 no meu bolso refletia que o café da manhã não fora feito, e que minha mãe havia saído estranhamente cedo de casa. Algo me dizia que eu devia ter ficado no meu quarto dormindo até chegar a hora de dormir de novo. Definitivamente não sabia o que estava acontecendo.
Cheguei na parada de ônibus e me sentei. Incrivelmente me sentei. Eu nunca havia feito isso desde quando cheguei na cidade. Eu não ouvia os beatles cantando simplesmente porque o fone não estava no meu ouvido. Eu não estava mascando chiclete. Estava tudo errado. Mas de repente eu me levantei. Achei que eu iria abrir minha bolsa, tirar meu MP3 e mascar meu chiclete de pé ao lado da placa, como todos os dias. Nada.
Desisti do ônibus e fui caminhando na direção contrária ao meu caminho. Olhei de um lado para o outro, e fui me afastando aos poucos. Quando me dei conta, estava chegando à biblioteca da cidade. Decidi não entrar. Sentei num banco e fiquei olhando as pessoas. Todas as cores, todos os estilos, todas as idades. Um aperto no coração. Mas não foi como aqueles de quando estamos com vontade de chorar. Foi como se meus batimentos cardíacos fossem cessar ali mesmo. Nunca havía sentido tanta dor. Aos poucos, meus olhos foram se fechando e eu fui perdendo o domínio de mim.
Não lembro de mais nada. Quando acordei, estava na cama do hospital local. Meu pai ao meu lado chorava desesperadamente. "- Estou bem pai, foi só um susto!" - tentei acalmá-lo, mas foi em vão. Após ter ouvido minha voz foi que seu pranto aumentou. Me sentei na cama assustada, e mesmo que no momento eu fosse a paciente, pedi para a enfermeira chamar o médico para examiná-lo e verificar se tudo estava bem.
Ele me abraçou. Tão forte quanto no dia que eu havia caído de bicicleta e quebrado minha perna esquerda. Baixinho sussurrou no meu ouvido: "- Querida, vamos pra casa". Fomos. Antes de chegarmos lá, a fila de carros estacionados era imensa. Já era noite e fazia um pouco de frio. Não entendi o que tanta gente fazia alí. Seria alguma festa pela redondeza? Não sabia. Desci do carro e corri para a porta da sala que estava entreaberta. Ao entrar em casa, deparei-me com um corpo pálido, gelado e sem vida. Meu chão desapareceu. "- Maas, co-como?". "- Parada cardíaca minha querida, sentimos muito."
Toda minha vida foi se esvaindo. Aquela dor no meu coração não foi em vão. Minha mãe e eu havíamos morrido juntas, mas eu consegui voltar. Ela não. Subi para o meu quarto e só me lembro de ter deitado na cama. Amanheceu. Saí de casa desconhecendo o motivo pelo qual havia feito isso. Era um dia como os outros, mas eu não sentia vontade de caminhar até o trabalho como todas as manhãs.

7 comentários:

  1. Oi Rebeca!!
    Adorei saber que vc tb tem blog, que por sinal é lindo!
    Vc tem que me dar umas dicas depois... ;)
    Beijão.

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  2. Cara, que lindo o texto. Adoro suas postagens, de verdade! Boa semana. ♥

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  3. Nossa. Incrível o texto.
    E ter a sensação da dor. E perceber que "morreu", é algo tão estranho e único. Sentir antes. Muito legal o texto e diferente :]

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  4. Que texto eim! Muito bom,
    adorei tudo neste blog, estou lhe seguindo!
    Se quiser dar uma passadinha no meu, sinta-se convidada!

    beeijinhos

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  5. O final foi surpeendente, Rebeca.

    Percebe-se que as personagens tinham um vínculo ainda maior do que o de "Mãe & Filha" que se costuma ver por aí. E mesmo os detahes não tendo deixado a amostra se elas conversavam muito ou não... Havia algo de muito especial entre elas.

    Parabéns pela criação!
    Fique bem.

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  6. Que triste, mas muito bonito. A ligação das duas era muito forte, um amor além da vida.
    Muito bom o conto, gosto de coisas que me surpreendem assim.

    Bjs =)

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  7. Eita .-. isso sim é um texto incrível que prende a atenção de qualquer um pra saber logo o final. Amei!

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Meus devaneios, você já leu... agora é sua vez de devanear :)